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Mostrando postagens de julho, 2025

O relógio inútil das aflições

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E então no meio da madrugada, surge. Nunca um, mas vários, em enxurradas, e me fazem submergir do sono reparador. Pensamentos e mais pensamentos. Sobre o ontem, o hoje, e o porvir. Pensamentos que provocam tensões, não físicas, internas. Tensões que torcem minha atenção, meu foco, e assim me perco sem mapa ou lanterna em uma estrada escura e solitária. Essa minha antiga insistência, esse meu mau comportamento, que me assombra e me desperta, me impede de relaxar. É um rolar solitário por pensamentos desconexos, pulo os assuntos em meio a tentativas frustradas de retornar ao meu sono, seria um sonho bom? Mais vai e vem de pensamentos, um refluxo de emoções, memórias e autopunições. Abro os olhos e encaro o relógio, madrugada, tenho muito para tempo o fútil ou pouco para o necessário? Mais uma pergunta para somar em minhas inquietações. Até quando, me pergunto, vou me perder ajustando os ponteiros do relógio inútil das minhas aflições? Marcel

Asas

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Começo mais uma reflexão na porta da entrada do meu trabalho. É sábado. Eu me programei para realizar algumas demandas no dia de hoje. Com o setor deserto é mais fácil se concentrar em determinadas tarefas, e assim aproveito para escutar uma música ou curtir uma entrevista em algum programa no YouTube. Vim para cá, meu setor de trabalho, de “alma limpa” como gosto de pensar. Em nenhum momento no caminho, ou nos dias anteriores, me peguei pensando sobre o que iria realizar no sábado. Eu apenas vivi meus dias, li um livro, vi filmes, tomei sorvete, tomei açaí, lavei roupa, lavei louça. Dirigi o caminho inteiro escutando um podcast que promete ser bem interessante até o final. Estacionei o carro na sombra de uma árvore. Não vi um ser vivente. Suspiro. Um silêncio momentâneo rompido apenas pelo ônibus que faz sua rota. Entrei, liguei as luzes, fiquei feliz ao descobrir um suco na geladeira, liguei o ar condicionado e enquanto meu computador esquentava os motores fui de assalto a cozinha ma...

Sobre não estar bem

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Hoje... Eu perdi Errei Esqueci Falhei Fracassei (não) fiz Hoje me perdi no tempo, e no feed viciante do celular. O aparelho não tem vontade própria. O algoritmo, esse sim possui, e me levou a ficar muito à vontade durante minutos intermináveis, oferecendo emoções e contradições em cascata. Discursos, pegadinhas, cenas, política, alertas de um mundo em chamas, lágrimas e situações que me reconheço. Ontem dei comida a um mendigo. Eu estava voltando para casa após jantar fora. A madrugada prometia ser fria. Resolvi levar o restante da comida para o cachorro. No caminho eu o vi. Sentado na calçada, sem nada nos pés, enrolado em trapos, rua deserta, olhar vazio. A surpresa é sempre o melhor de todos os presentes Volto um pouco às minhas memórias. Meus olhos me pregam uma peça. Semana passada, ela, minha namorada, distante, alheia em pensamentos, perdida em olhares e com respostas rasas, quase monossilábica. Antevi crise, ou mesmo a falta de interesse em mim. Tão cedo, pensei comigo. Onde es...

Andor #3

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Haverá momentos em que a luta parecerá impossível. Eu já sei disso. Sozinho, inseguro, diminuído pela escala do inimigo. Lembre-se disso: A liberdade é uma ideia pura. Ela ocorre espontaneamente e sem instrução. Atos aleatórios de insurreição estão ocorrendo constantemente em toda a galáxia. Existem exércitos inteiros, batalhões que nem imaginam que já se alistaram na causa. Lembre-se que a fronteira da Rebelião está em toda parte. E mesmo o menor ato de insurreição empurra nossas linhas adiante. E então lembre-se disso: A necessidade imperial de controle é tão desesperada porque é tão antinatural. A tirania requer esforço constante. Ela quebra, ela vaza. A autoridade é frágil. A opressão é a máscara do medo. E saiba disso, chegará o dia em que todas essas escaramuças e batalhas, esses momentos de desafio terão inundado as margens da autoridade do Império e então haverá muitos. Uma única coisa quebrará o cerco. Lembre-se disso: Tente.

Pensamentos soltos em frases amarradas (11)

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Substitua a ansiedade de um futuro mágico Pelo real prazer do momento presente Marcel

Mafalda #1

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A sutil arte de ligar o foda-se

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Onoda tentou usar sua súbita condição de celebridade para defender os valores do antigo Japão, mas não entendia aquela nova sociedade. Ele era visto mais como uma curiosidade do que como um pensador sério — um japonês que saíra de uma cápsula do tempo para o deleite de todos, como uma relíquia num museu. A maior ironia nisso tudo foi que Onoda ficou muito mais deprimido no Japão do que durante todos aqueles anos na floresta. Porque lá, ao menos, sua vida tinha um propósito; um sentido. Isso tornava o sofrimento tolerável e até um pouco prazeroso. Mas, no novo Japão, que ele via como uma nação vazia cheia de hippies e mulheres fáceis em roupas ocidentais, ele foi confrontado com a inevitável verdade: sua luta não valera nada. O Japão pelo qual vivera e lutara não existia mais. E o peso dessa percepção o atingiu como nenhuma bala jamais conseguira. Como seu sofrimento não significara nada, a conclusão se tornou clara e real: trinta anos desperdiçados. Então, em 1980, Onoda fez as malas e...

Palavras no meu ser

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Lembro da história de um sábio. Após muitas décadas prestando conselhos a uma comunidade, a idade avançada cobra seu preço e ele, com 90 anos, decide abdicar da posição. Feitos os devidos ajustes e comunicados, uma grande festa foi conduzida. E enfim o ancião se retira. Em um último gesto, responde a um jovem que lhe pergunta, você teve um segredo que gostaria de compartilhar? E o sábio responde afirmativamente:  Todas as manhãs acordava cedo e orava pedindo aos céus para nunca perder o assombro . “Que eu nunca perca o assombro” Há quanto tempo não escrevo? Há quanto tempo não me permito jogar palavras ao vento? Perdi o encanto ou o contentamento?  “Que eu nunca perca o assombro” Que eu também nunca perca essa sensação A sensação de estar desfiando os pensamentos Destilando minhas emoções Percorrendo minhas entranhas em busca de algo a me dizer,  nos cantos do meu ser Algo que ficou por falar Palavras a escrever, sentimentos a relembrar Palavras a tecer, memórias por afu...