A sutil arte de ligar o foda-se
Onoda tentou usar sua súbita condição de celebridade para defender os valores do antigo Japão, mas não entendia aquela nova sociedade. Ele era visto mais como uma curiosidade do que como um pensador sério — um japonês que saíra de uma cápsula do tempo para o deleite de todos, como uma relíquia num museu.
A maior ironia nisso tudo foi que Onoda ficou muito mais deprimido no Japão do que durante todos aqueles anos na floresta. Porque lá, ao menos, sua vida tinha um propósito; um sentido. Isso tornava o sofrimento tolerável e até um pouco prazeroso. Mas, no novo Japão, que ele via como uma nação vazia cheia de hippies e mulheres fáceis em roupas ocidentais, ele foi confrontado com a inevitável verdade: sua luta não valera nada. O Japão pelo qual vivera e lutara não existia mais. E o peso dessa percepção o atingiu como nenhuma bala jamais conseguira. Como seu sofrimento não significara nada, a conclusão se tornou clara e real: trinta anos desperdiçados.
Então, em 1980, Onoda fez as malas e foi para o Brasil, onde morou praticamente até morrer.

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