O relógio inútil das aflições


E então no meio da madrugada, surge. Nunca um, mas vários, em enxurradas, e me fazem submergir do sono reparador. Pensamentos e mais pensamentos. Sobre o ontem, o hoje, e o porvir. Pensamentos que provocam tensões, não físicas, internas. Tensões que torcem minha atenção, meu foco, e assim me perco sem mapa ou lanterna em uma estrada escura e solitária.

Essa minha antiga insistência, esse meu mau comportamento, que me assombra e me desperta, me impede de relaxar. É um rolar solitário por pensamentos desconexos, pulo os assuntos em meio a tentativas frustradas de retornar ao meu sono, seria um sonho bom? Mais vai e vem de pensamentos, um refluxo de emoções, memórias e autopunições. Abro os olhos e encaro o relógio, madrugada, tenho muito para tempo o fútil ou pouco para o necessário? Mais uma pergunta para somar em minhas inquietações.

Até quando, me pergunto, vou me perder ajustando os ponteiros do relógio inútil das minhas aflições?


Marcel

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