Palavras no meu ser
Lembro da história de um sábio. Após muitas décadas prestando conselhos a uma comunidade, a idade avançada cobra seu preço e ele, com 90 anos, decide abdicar da posição. Feitos os devidos ajustes e comunicados, uma grande festa foi conduzida. E enfim o ancião se retira. Em um último gesto, responde a um jovem que lhe pergunta, você teve um segredo que gostaria de compartilhar? E o sábio responde afirmativamente: Todas as manhãs acordava cedo e orava pedindo aos céus para nunca perder o assombro.
Há quanto tempo não escrevo?
Há quanto tempo não me permito jogar palavras ao vento?
Perdi o encanto ou o contentamento?
“Que eu nunca perca o assombro”
Que eu também nunca perca essa sensação
A sensação de estar desfiando os pensamentos
Destilando minhas emoções
Percorrendo minhas entranhas em busca de algo a me dizer, nos cantos do meu ser
Algo que ficou por falar
Palavras a escrever, sentimentos a relembrar
Palavras a tecer, memórias por afugentar
Palavras no meu ser, idas e vindas na minha história, no meu passado
Eterno retornar
“Que eu nunca perca o assombro”
Marcel

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