Alimenta e não preenche
Assim que acordo - ou quando vou ao banheiro. Assim que chego em casa, ou minutos entediado no trabalho, na fila do atendimento. Tudo é motivo e razão para me perder no feed interminável de notícias, vídeos e curiosidades que a tela me proporciona. Vício? Não, mas quase… Eu sei e tenho consciência que já fui muito pior. Que antes toda e qualquer desculpa era desculpa. Que passava horas e horas sentado no banheiro do vaso procurando sabe-se lá o quê. Lembro muito bem desses dias. Hoje é levemente diferente. Assim que entro no banheiro, o celular está comigo. A desculpa que rapidamente elaboro para mim mesmo é: como vou ficar um tempo, nada mais cômodo do que assistindo (ou consumindo) alguma coisa - seria o meu gatilho? E então, de forma inconsciente (mas justificada) me permito ficar minutos, que nunca tem fim, nesse feed, sendo “alimentado” por imagens e textos aleatórios que eu sequer escolhi. Por conteúdo que eu sequer sabia existir. Não importa a qualidade. E isso me vicia, me queb...