Refletido na superfície

A conversa começou sobre um outro assunto. Eu e meu melhor amigos falávamos sobre hábitos. E então, em algum momento, o assunto escorreu para atividades físicas. Eu falei longamente sobre minha prática diária de yoga, o quanto ela tem sido um eterna novidade e fonte de descobertas na minha vida, cada novo movimento, cada nova conquista. 

Ele, seguindo uma linha de pensamento mais tradicional, me perguntou por que eu não fazia musculação. Eu respondi com sinceridade, não gosto. E ficamos mais algum tempo falando sobre isso. Ele insistiu que eu não gostava pois não tinha dado o tempo necessário para "ver os resultados". E estranhamente isso tem um certa verdade, e também se aplica muito ao meu yoga diário. 


Eu pratico regularmente todos os dias da minha vida. Faça chuva, faça sol. Já fiz yoga ao ar livre, em closets apertados, na garagem, em uma varanda na beira de um lago, na sala, no quarto. Hoje posso me considerar um sortudo, tenho um espaço reservado na casa. Não é um estúdio, é o mais próximo que minhas forças me permitem. Mantenho um cômodo do meu apartamento vazio para poder praticar com total liberdade de movimentos.

Lá estão dois tapetes de yoga, um vasinho com plantas artificiais, um incensário, uma almofada, um estepe para apoiar meu notebook e dois rolos miofaciais que às vezes me auxiliam em poses em que eu usaria um bloco de yoga ou um livro. É simples, acolhedor, sempre disponível para o meu uso, eu adoro estar nesse ambiente. É exatamente o oposto do que eu sentia em uma sala de musculação.

Disputa por aparelhos, corpos suados, disputa por espaço na frente do espelho, música barulhenta, calor, olhares, egos. Não... Definitivamente eu não fiquei tempo suficiente para ver resultados. Assim como no yoga que pratico, eu buscava mais do que uma mudança corporal, eu buscava uma mudança interior.

Uma mudança bem além e mais recompensadora do que aquilo que era refletido na superfície daqueles grandes espelhos da academia.


Marcel

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