Shutdown das emoções passadas
Começo essas palavras sem rumo ou direção. Sou apenas eu digitando no meu velho computador. Estou me despedindo dele, eu sei. Já são 11 anos de parceria. Muitas horas trabalhadas, jogadas, assistidas e com minhas reflexões.
Ao meu computador dediquei uma parte do meu tempo livre acessando o mundo virtual - tão real quanto qualquer mundo. Li histórias empolgantes, descobri novas cores, revi velhos amigos, me despedi de outros. Me permiti me perder nas horas e nos momentos.
Escrevo e escrevo, apenas. Permito mais uma linha e mais uma reflexão. Até onde irei? Meu computador dá sinais que já não irá mais tão longe. Ele é apenas uma ferramenta. Não possui emoções. Foi apenas um transmissor, um canal, meio. Foi por meio dele que percorri caminhos, descobri novos horizontes, li e reli mensagens e seus significados. Adquiri e perdi hábitos.
Já há muito que me lembro da emoção de tirá-lo da caixa, acomodá-lo na minha velha mesa, na velha casa de madeira. Meus avós vivos, o papagaio no poleiro, o quintal, o poço. Os sons, os cheiros. A velha casa e tantas outras lembranças.
E são com essas lembranças que vou para cama, me despedindo da minha velha máquina. Um dos meus últimos elos existentes desse passado que mistura lembrança, tempos e momentos enquanto me reviro até achar uma posição confortável para dormir.
Suspiro. E assim levo para o travesseiro boas recordações, a certeza de que continuarei a escrever, e histórias (memórias) recontar.
Marcel
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