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Mostrando postagens de junho, 2025

Cartas de amor não correspondido (4)

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Um dia minhas palavras guardadas irão ser ditas no teu ouvido As mãos com as quais escrevo, percorrer a extensão dos teus cabelos Meus olhos, varrer toda tua existência E teu respirar tomará toda minha atenção Eu quero ser mais que promessas O real motivo dos teus sorrisos A causa dos teus suspiros O fogo que te queima sem arder É... Eu tenho essa louca pretensão De ser o único amor da sua vida   Marcel

Convicções no banco do carona

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Cheguei na sala de cinema com o filme começando. Uma rápida conferida no ingresso e corro para minha poltrona. Celular como lanterna pra não tropeçar nas pernas dos outros pagantes. Dezoito, dezenove, vinte. Pronto, cheguei! Rapidamente saco o refrigerante número um da sacola e já começo a mastigar o primeiro punhado de pipoca que empurro garganta adentro. Os personagens trocam os primeiros diálogos e eu já estou no meu quarto gole de coca-cola.  O balde de pipoca é enorme. Não sei onde estava com a cabeça pra gastar tanto dinheiro comprando isso. Mais alguns minutos e já estou no segundo (e último refrigerante). A trama segue com seus diálogos, situações, reviravoltas, dramas, músicas e tensões. Descanso os braços na cadeira. Não aguento mais comer ou beber nada. Mastigo apenas o que estou acompanhando da tela e me percebo entediado.  A trama, essa que assisto, não progride, é indigesta. A história é um pouco batida, alguns argumentos não me convencem em nada. Logo reconheço ...

Be Human

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Um dia desses me peguei planejando o mês no trabalho. Não, eu não planejei meu trabalho. Ele é confuso, desconexo, as vezes no improviso, e até divertido. O ambiente é bom e gosto muito de muitas pessoas com quem cruzo no meu dia-a-dia.  Meu foco foi planejar o entretenimento. Deveria ser a terceira ou quarta série no streaming que eu começava e encostava. Razões? Motivos? Não sei ao certo. Pois bem, tirei aqueles quinze minutos para usar alguns post-its virtuais para colocar metas e objetivos sobre o que assistir, ler e ouvir naquele mês.  Posso dizer que cumpri 90% do que me planejei. E em parte, me ajudou com um livro que estava na minha estante há algum tempo. A série em questão, que me levou à aquele momento, não andou como o desejado. Ainda pretendo terminá-la, claro.  O que me fez escrever até aqui foi repensar sobre as coisas que planejei para mim. Afinal, eu preciso de metas pessoais? O que me leva a querer consumir tanto? De fato, tudo que é oferecido para mim...

Andor #2

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"Abri mão de toda chance de paz interior. Tornei minha mente um espaço sem sol. Compartilho meus sonhos com fantasmas. Acordo todos os dias com uma equação que escrevi há 15 anos, da qual só há uma conclusão, estou condenado pelo que faço. Minha raiva, meu ego, minha recusa em ceder, minha ânsia de lutar, me colocaram em um caminho do qual não há escapatória. Eu ansiava por ser um salvador contra a injustiça sem contemplar o custo e quando olhei para baixo não havia mais chão sob meus pés. Qual é meu sacrifício? Estou condenado a usar as ferramentas do meu inimigo para derrotá-los. Queimo minha decência pelo futuro de outra pessoa. Queimo minha vida para fazer um nascer do sol que sei que nunca verei. E o ego que começou essa luta nunca terá um espelho ou uma audiência ou a luz da gratidão. Então, o que eu sacrifico? Tudo!”

Um punhado de coragem

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Mergulhar na própria alma requer coragem Coragem para abrir os olhos e enxergar a própria maldade Abrir os olhos e tocar na casca de novas feridas Tocar velhas cicatrizes que carregamos Requer coragem Coragem de remexer pelo avesso e enxergar certezas alheias Enxergar defeitos, deslizes e distâncias que colocamos entre nós e o queremos para nós mesmos Enxergar o tamanho da nossa mediocridade, avareza, rancor, ciúme da vida vizinha Enxergar os laços que me tornam mais humano, mais único e menos especial Mergulhar na própria alma é deixar a superfície mundana Aceitar (Amar os) erros Respeitar mais a si mesmo Calar a voz que me chama do abismo Entregar, se entregar, sem pressas a pequenos devaneios Levar consigo apenas o que for bom, justo e certo Sem medos, sem receios Apenas com um punhado de coragem Marcel

Morte no Nilo

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  Hercule Poirot pôs-se a observar a sala; a sua mente metódica ia registrando tudo o que via. Que expressão de cansaço e tédio na maioria dos rostos! Alguns daqueles homens pesadões pareciam, no entanto, divertir-se... Mas na fisionomia dos seus pares notava-se uma expressão de paciente resignação. A gorda mulher de vermelho estava radiante. Indubitavelmente, os obesos tinham alguma compensação na vida... Um prazer, um deleite negado aos de silhueta mais moderna. Muita gente nova... Alguns com expressão vaga, alguns entendiados; outros, sem dúvida alguma, infelizes. É um absurdo dizer que a juventude é a época da felicidade - juventude, tempo da maior vulnerabilidade! 

a soma de todas as coisas

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A decepção muitas vezes é o resultado de muitas coisas. Enumero três. A primeira de todas é a expectativa. O meu cérebro, e acredito que não sou uma exceção à regra, adora navegar na linha desses horizontes fantásticos. São sempre soluções, desenrolar de tramas, ou o desfazer enganos rápidos, confiantes e certeiros. O segundo é o imponderável. Pouco ou nada nos prepara para o imprevisto. O não-planejado rapta nossas forças e atenções pelo urgente da situação. O tratar da contingência é, quase sempre, uma mistura de atropelos, improvisos e remédios inusitados. A terceira que coloco é a verdade escrita em pedra. Ou, melhor dizendo, a certeza. Irmã siamesa do mal da segunda e prima da primeira. A certeza nos cerca de facilidades e falsas conclusões. O “óbvio” que não resiste a um segundo escrutínio da razão. “Eu posso sair mais tarde de casa pois conheço o trânsito da minha região. O que poderia dar errado?” Ninguém escapa do tripé da decepção. No campo do possível, cada um pode, ou pelo...

Anônimo #4

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