Convicções no banco do carona
Cheguei na sala de cinema com o filme começando. Uma rápida conferida no ingresso e corro para minha poltrona. Celular como lanterna pra não tropeçar nas pernas dos outros pagantes. Dezoito, dezenove, vinte. Pronto, cheguei! Rapidamente saco o refrigerante número um da sacola e já começo a mastigar o primeiro punhado de pipoca que empurro garganta adentro. Os personagens trocam os primeiros diálogos e eu já estou no meu quarto gole de coca-cola.
O balde de pipoca é enorme. Não sei onde estava com a cabeça pra gastar tanto dinheiro comprando isso. Mais alguns minutos e já estou no segundo (e último refrigerante). A trama segue com seus diálogos, situações, reviravoltas, dramas, músicas e tensões. Descanso os braços na cadeira. Não aguento mais comer ou beber nada. Mastigo apenas o que estou acompanhando da tela e me percebo entediado.
A trama, essa que assisto, não progride, é indigesta. A história é um pouco batida, alguns argumentos não me convencem em nada. Logo reconheço ecos da primeira parte da história contada anos atrás. O filme que vejo hoje reaproveitou algumas ideias do anterior e colocou um "2" no fim do título.
Olho pro relógio, ainda falta sessenta minutos para a história terminar. O incômodo não vai embora e sinto que o tempo se arrasta mais que o necessário quando não tenho mais fome ou sede para saciar. O que deveria ser um passeio bom está se tornando algo cansativo. Tento mais uma vez focar no que está acontecendo, no desenrolar. Em vão. O filme continua a não me agradar.
O tempo acaba, a história também. Saio da sala e me dirijo para o carro. Procuro nos bolsos a chave e talvez alguma satisfação com a experiência, só encontro o primeiro. Ligo o motor, ajeito o cabelo, confiro o horário, deixo uma música invadir o ambiente. As batidas me levam para longe. Meus dedos tamborilam no voltante. Com a cabeça dou leve sacudidas para acompanhar o ritmo.
Longe vou e de carona comigo algumas convicções não podadas da maneira correta: A lembrança do que não foi, a certeza do que é, e baixas expectativas para o que se desnudará na próxima curva da vida.
Marcel

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