Be Human


Um dia desses me peguei planejando o mês no trabalho. Não, eu não planejei meu trabalho. Ele é confuso, desconexo, as vezes no improviso, e até divertido. O ambiente é bom e gosto muito de muitas pessoas com quem cruzo no meu dia-a-dia. 
Meu foco foi planejar o entretenimento.

Deveria ser a terceira ou quarta série no streaming que eu começava e encostava. Razões? Motivos? Não sei ao certo. Pois bem, tirei aqueles quinze minutos para usar alguns post-its virtuais para colocar metas e objetivos sobre o que assistir, ler e ouvir naquele mês. 

Posso dizer que cumpri 90% do que me planejei. E em parte, me ajudou com um livro que estava na minha estante há algum tempo. A série em questão, que me levou à aquele momento, não andou como o desejado. Ainda pretendo terminá-la, claro. O que me fez escrever até aqui foi repensar sobre as coisas que planejei para mim. Afinal, eu preciso de metas pessoais? O que me leva a querer consumir tanto? De fato, tudo que é oferecido para mim é importante ou necessário?

Muitas perguntas, muita coisa para pensar. E isso me fez encarar algumas verdades cruas. E verdades desse tipo são como frutas no pé: precisam amadurecer para serem consumidas. 

O ponto crucial dessa reflexão é reconhecer o quanto abandonei aquela minha fome (ou sede) por mais. Mais séries, mais livros, mais jogos, mais músicas, mais isso, mais aquilo. Esse pequeno monstrinho que alimentei estava se tornando incassiável, e pior, vinha de braço dado com a minha ansiedade, ocupando quartos inteiros e me tirando do meu repouso.

O entretenimento virava uma correria. As muitas opções, um tormento. Minha vida, uma bagunça. Nunca satisfeito, nunca relaxado. Nem contente, nem animado. Apenas abrindo a boca para consumir mais e de forma desenfreada. Deve haver algo mais importante que correr atrás da próxima modinha e olhar para o mundo com olhos atentos, com compaixão e sinceridade.

Eu não sou uma empresa para ter metas
Eu sou mais
Eu quero ser mais
Eu quero ser humano


Marcel

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