Não pare de dar nome às coisas

Essa semana tive uma boa revelação, ou talvez essa não seja a palavra mais adequada. Eu estava às voltas com meus afazeres e, ao fundo, o podcast que escuto com certa regularidade nos últimos tempos, o (muito bom) Para Dar Nome Às Coisas da Natália Sousa (🔊). A Nat (já que somos íntimos) conduz em forma de conversa de bar (nas palavras da mesma) histórias, reflexões, perrengues, medos e frustrações durante 30-40 minutos. 



Alguns episódios são bem pessoais, com a mesma como protagonista. Em outros, ela assume o papel de narradora e te leva a lugares, pessoas e acontecimentos alheios sempre com um ou outro detalhe saboroso. Esse pitoresco e informal, mais divagações, relaxa e ao mesmo tempo serve como ferramenta de auxílio, um olhar para a própria vida. Não é raro os momentos em que ao escutar o programa fico me vendo e revivendo momentos da vida como se olhasse através de um espelho.

E foi em um desses capítulos que escutei frases marcantes como "tem passo que é mais importante que o caminho" que me levam a pensar em destino, escolhas, caminhada, etc. Mas a cereja do bolo foi quando a própria comenta que aquele era um "episódio sem objetivos" - e essa foi a frase que de fato me levou a (re)avaliar algumas questões.

Olhando para o passado, minhas amizades, lembro das muitas conversas com amigos do bairro por horas e horas nas calçadas, andando para lá e para cá, na casa de um, na casa de outro. Não havia exatamente um porquê, nossa galera se reunia para estar junta. Não era por causa da piscina, do sorvete, do videogame, era apenas para estar junto um do outro. Conversar, trocar ideias, falar sobre coisas que deram errado, notícias boas. Era o compartilhar da existência.

E assim como o episódio da Nat, não havia objetivos, niguém ali tinha uma meta a cumprir ou ponto a bater. A obrigação, quando muito, era com a escola ou com os pais. Eram dias vazios de objetivos, com os amigos ao redor, e cheios de humanidade. Assim como os episódios do podcast.

Assim como a vida deve ser.


Marcel

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