Arrependimentos no retrovisor


O mesmo cara que levou uma invertida pela parte da manhã de um colega de trabalho, foi o mesmo que horas mais tarde soube aconselhar uma velha amiga com palavras bonitas e sinceras sobre um momento delicado. E sim, como diria Roberto Carlos (o cantor): Esse cara sou eu.

É normal se decepcionar, inclusive com a própria existência. Tem dias que dá vontade de voltar para a cama. O mundo não é do jeito que eu quero. E o que tiro de lição sobre o evento da manhã é sempre me dedicar de corpo, alma e coração a nunca ignorar a leitura que faço dos acontecimentos ao meu redor. Perder essa leitura, ignorar sutilezas e sinais, já me colocou, e me colocará, em diversos problemas - e até mesmo risco de morte.

Se jogar, sem paraquedas ou corda de segurança, em aventuras, crenças, expectativas, projeções para o futuro, é um risco. Se mal calculado, as consequências podem ser terríveis. O prazer momentâneo pode se transformar em arrependimento terminal.

Para todo o meu passado de escolhas insensatas, e principalmente para as lembranças ruins dessas escolhas que ainda insistem em cruzar o meu pensamento em algum momento do dia, eu tenho apenas uma frase: "Se perdoa, Marcel".

E sigo dizendo isso várias vezes ao longo dos dias, das semanas - e provavelmente farei isso para o resto da minha vida. Entendi que durante um longo tempo, carreguei um fardo pesado de frases ditas e momentos mal resolvidos dentro de mim. Momentos no passado, que me impedem de sorrir com calma no presente. Um passado que não posso mudar, mas que modificam o meu hoje com sua lembrança esmagadora e cruel. 

E bem mais que um novo cargo, emprego, viagem, roupa, carro ou salário, o que guia meus passos na certeza do amanhã é que eu posso mudar. Eu posso evoluir.

Eu posso e quero encontrar algo real aqui dentro, que pode ou não refletir no meu exterior. O conforto interno, o sentimento verdadeiro de boas escolhas tomadas, boas escolhas no presente, escolhas sinceras, sem carregar, um metro que seja, arrependimentos no retrovisor.


Marcel

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Emoldurar

No silenciar das horas

Sobre não estar bem