Silentium
Os dias têm me ensinado que permanecer escrevendo, além de exercitar certa disciplina, é algo necessário para desfiar os pensamentos, e organizar alguma bagunça interior. O orgulho que sinto ao colocar sentimentos e eventos passados nos seus devidos lugares, é o equivalente a arrumação que faço da minha casa. Como gosto de pensar: o prazer de limpar, organizar, lavar, secar, dobrar, guardar, se assemelha, em muito, ao ato de transformar em palavras emoções ressecadas pelo tempo.
E existe ainda o silêncio, pouco falado e necessário. Para isso, eu estou dedicando meia hora de forma regular em algum momento do dia. Me permito arrumar a casa, e também alguns pensamentos. Assim que chego em casa, após o trabalho, mercado, etc, pelos próximos 30 minutos, me dedico a fazer qualquer coisa que julgo útil ou necessária. Nesse tempo, me permito ser espontâneo, e como não há lista de tarefas, não planejo com antecedência. São (apenas) tarefas simples, uma micro organização cotidiana para a manutenção da ordem da casa como abrir as janelas, retirar o lixo, guardar (ou lavar) a louça, devolver algum objeto eventualmente fora do lugar.
Esse meu pequeno ritual é antecedido de um timer que ativo em contagem regressiva. Durante essa próxima meia hora, nem som, nem música, rede social, celular ou qualquer dispositivo eletrônico me acompanharão. É o momento do dia que me conecto comigo mesmo de forma consciente.
Para brotar, as reflexões necessitam de espaço e tempo (em silêncio). E como toda disciplina, é o regar constante por meio de pequenos atos que produz os frutos mais saborosos.
Marcel

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