Atenção, passado e destino
Estar presente não tem sido fácil. Mesmo no meu momento mais pessoal, o yoga, quando dedico alguns minutos da minha prática para a meditação, minha atenção vai e retorna com preocupações. São o conjunto de muitas coisas, e sequer são preocupações reais. A hora que levantei, o tempo que precisarei para fazer isso ou aquilo, o que farei pela manhã, o que deixarei para a tarde, o que ficará para essa semana ou o próximo mês. Ultimamente, percebo, de forma constante estar sintonizado com meus pensamentos no futuro próximo, sejam ações, ou pequenos planejamentos. O passado, que uma vez foi fonte inesgotável de aborrecimentos e punições, é algo que pouco ou rara vez escrevo, lembro ou penso sobre. E, claro, ainda tenho muitas questões a resolver (mal resolvidas) dentro de mim. Não consigo ignorar pequenos tropeços pessoais, ou qualquer coisa que aconteceu minutos atrás, menos ainda imaginar que isso não vá reverberar em mim. O corpo padece quando a alma não descansa. O exercício diário que faço, olhar para dentro, é a única saída que conheço para não tropeçar, novamente, nos lugares comuns do mundo exterior: apostas, consumo desenfreado, comparação, culto a beleza, dietas mirabolantes, drogas, estética, frivolidades, marcas, memes, pornografia, ostentação. Essa busca interior não é uma fuga: é a saída necessária. É não aceitar o "sempre mais” como a única, perfeita e derradeira solução para todos os problemas antigos, atuais ou vindouros. E aqui talvez seja o ponto de inflexão que minha vida chegou: a certeza de um passado imutável não determina meu futuro. É importante sim ter um referencial do passado, os caminhos que cruzei e as tantas tempestades que açoitaram o meu “casco". E é esse passado que me permitiu chegar onde estou agora: contemplando o horizonte, traçando as melhores escolhas, e, assim, me colocar em rota segura, dentro do possível, para um destino mais favorável.
Marcel

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