Do que me cabe

Em um tempo bem recente da minha vida comecei a fazer a separação no meu lixo. Primeiro comecei a organizar as latas de refrigerante e água tônica em uma caixa de papelão. Depois passei para os plásticos do tipo pet (gosto muito de tomar água com gás - uma alternativa saudável ao refrigerante que hoje é bem menos presente na minha vida) e, por fim, até mesmo caixas de remédio ou pequenas embalagens de papelão como sabonetes ou perfumes são agora separados e colocados em lixos próprios.

Não sei dizer se estou viciado no método, não gosto da conotação negativa que a palavra "vício" traz. Eu estou muito focado nesse processo de separar o meu lixo em locais específicos e depois descartar em dias e horários certos. É uma pequena atitude, eu sei. A parte que cabe a mim, como gosto de pensar. A minha atitude consciente se equipara a uma gota no oceano - e me sinto muito bem com isso.


Dias atrás, no momento que saía de casa, avistei uma catadora de lixo. Uma simpática senhora vestindo um chapéu de palha largo e protegida do sol por mangas compridas, me deu um belo sorriso enquanto separava o lixo do condomínio onde moro. Trocamos algumas palavras rápidas e, no momento que ela soube que era eu quem fazia a separação das latas de alumínio e do plástico, me agradeceu de coração. O que ofereci para ela foi pouco: palavras, uma conversa franca, alguma cortesia. O que recebi em troca (o agradecimento) retirou por alguns segundos os meus pés no chão.

E eu que nunca esperei um sorriso ou um aplauso, me vi muito contente por dar um pouco mais de respeito para alguém que muitas das vezes é despercebido na sociedade. Um invisível.

Uma pessoa que me mostrou que, sem minha pequena contribuição, o oceano seria menor.



Marcel

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