Colecionador de mim



Não consigo parar de pensar em decisões. Eu coleciono e, por vezes, me desfaço de várias. Coleciono as que considero importantes, que gosto de exibir como troféu pessoal na minha prateleira preferida. Mas há também aquelas das quais me arrependo ou, melhor dizendo, os arrependimentos. É estranho constatar o quanto um arrependimento, recente ou antigo, pode azedar o resto do meu dia, tomar conta dos meus pensamentos e me levar de passageiro por horas e horas nessa viagem sem rumo certo.

Os arrependimentos deveriam criar raízes tão profundas? Habitar e ocupar cidades e países inteiros dentro de mim? Arrependimentos que eclipsam o dia mais perfeito, tiram o gosto da comida mais saborosa, e, por fim, transformam o reflexo dourado das minhas melhores decisões em uma prateleira repleta de taças sem cor.

Faz parte da vida, alguém dirá.

Um dia de cada vez. Seja boa ou ruim, o que vale, é uma decisão sincera por vez.


Marcel

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