trocas necessárias

Ontem, ao conversar com um amigo muito querido, ele expôs sua preocupação em trazer a namorada, com menos de um mês de relacionamento, para conhecer sua mãe. Segundo ele, nos episódios anteriores em que houve essa introdução precoce no seio da família, sempre foi seguido de um término de namoro, e o vazio deixado na casa. Ele decidiu que sua mãe não iria mais sofrer por isso, ou que, pelo menos, a visita da namorada seria adiada para um momento futuro.

Eu o entendo perfeitamente. Porém sempre me pego pensando que nunca podemos nos proteger de sentir. Seja uma irritação, a vontade de rir, desconfortos. Se a presença dessa (nova) pessoa pode trazer um sofrimento futuro, a ausência, o evitar sentir, viver, estar, essa troca necessária é, talvez, se privar do vínculo humano mais importante que compartilhamos entre o nascer e o último entardecer: conviver.


Eu não o reprimi, óbvio. Mas entre as muitas escolhas que temos de fazer, na vida, uma que não me canso de optar é estar atento ao apelo sincero de um amigo, que quer escutar outra voz amiga, dar vazão aos sentimentos e, quem sabe, achar um lugar nesse mundo distante dos julgamentos sociais. Dar espaço para que ele, meu amigo, coloque para fora o que lá dentro de si não tem razão de estar. Perceber que não está sozinho nessa jornada. E, como prêmio pela sinceridade, receber uma palavra de conforto ou algo de bom em troca.


Marcel
*postado no Substack dia 31/05/25

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