Carpe Diem (Desmanchar)



Não foi necessário muito essa semana para o “desmanchar” de algumas poucas certezas que ainda carrego no bolso. Uma palavra tola aqui, um erro de julgamento durante o preparo do almoço e, como resultado um prato de conclusões indigestas horas dentro de mim. 

O evento me conduziu a pequenas e necessárias revoluções internas - e toda revolução começa com um enfrentamento, um levante, um motivo digno ou evitar o sufocamento de liberdades. Eu promovi esse levante pessoal e encarei a dura realidade que todos os que se enfiam em lutas pessoais enfrentam: o começar de uma revolução pessoal é se jogar do alto (ou de algo) sem rede de segurança ou equipamentos. É chegar a novas conclusões. Se reconhecer como vilão e protagonista da própria história. É não ter nome certo para novos sentimentos e emoções. Sentir não fazer parte de algo. 


É encarar cada revolução do ponteiro das horas. Andar por imensos corredores sozinho em meio a multidões. É se escutar repetindo no vazio, ou para os fantasmas da própria consciência, as razões, os motivos, os sonhos e as pequenas conquistas, cada pequeno passo. É chorar sem lágrimas à vista, gritar sem desfazer o silêncio, desarrumar o que até então parecia bom, justo e belo apenas por não se ver como parte daquilo, daquela cena. É olhar para o teatro cotidiano e não saber qual papel interpretar ou a próxima fala.


É interpretar sorrisos sufocando sensações excruciantes. É alimentar um sentimento bom. Buscar paz em meio às tempestades. É crer no amanhã, há dois minutos do fim da eternidade.


É construir e achar. Dormir e acordar. Viver e lidar, nunca enlutar, até o apagar de todos esses pensamentos. Até o desmanchar final do ego e das paixões mais mesquinhas.


É aceitar que ontem fui pó, hoje sou carne, amanhã não se sabe.


Carpe diem



Marcel

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