Um novo start para o ano que se inicia

 Diário Pessoal - 12 de abril de 2025 (*e adaptações)

Tenho um grande elefante na sala que preciso retirar. O problema já me inquieta há tempos. Eu, um grande jogador de videogame, ou, melhor colocando, pessoa que já passou alguma parte do seu tempo livre jogando e se divertindo com jogos eletrônicos, agora, encontra dificuldades para se dedicar meia hora a essa atividade - ainda que poucas vezes na semana.

E acredito que a palavra correta seja “encontrar” pois eu sempre fico colocando desculpas ou ligando o ato de jogar a uma falta de tempo ou que vou encarar um trecho difícil (no jogo), ou, uma palavra que costumo usar para algo que julgo ser desmotivador ou enfadonho: que aquilo vai ser chato.

Isso tem se arrastado por semanas. Todos os dias em que penso em jogar, eu arrumo mil desculpas para não começar. E nesse adiar de começos, protelo, durmo, esqueço, começo outra atividade e etc.  No dia seguinte, um arrependimento enorme cai sobre mim. Me sinto mal por não ter jogado e fico com um gosto amargo por não ter feito algo que gosto tanto e sem entender o que me levou a mais uma vez deixar em segundo plano um passatempo/hobby que me alegra e que de forma alguma é nociva para mim. Esse "rebote das emoções” é certeiro. Tem hora marcada no relógio das minhas aflições e me atinge no peito. Me derruba por uns minutos e chego a sentir culpa por ter comprado algo, no caso o aparelho eletrônico, que passa semanas e semanas sem ser ligado.



O que acontece? Não consigo decifrar essas emoções mesmo colocando em palavras. Não consigo dar voz às reais razões de tudo isso me atingir assim mais uma vez. O aparelho está do meu lado. O guia dos jogos, impresso. Eu o imprimi em inglês para treinar mais o idioma. Comentei com meu amigo Roberto*, e isso também se soma ao sentimento de culpa pois fico imaginando que eu não deveria ter contado a ele sobre o que venho jogando para evitar conversas futuras frustantes sobre o momento que me encontro.

Não consigo explicar para mim mesmo os motivos de mais uma sabotagem pessoal. Não sei explicar o que me leva a essa rejeição para algo que sempre me fez feliz, com raras exceções. O jogo, o videogame, foi minha corda de salvação quando eu estava passando alguns dos momentos mais difíceis da vida. Foi o relaxar bem-vindo em momentos turbulentos. O cobertor quente para dias frios e solitários.

O que levo comigo desse episódio é: Preciso escrever, escrever me ajuda a viver. Não é um fim em si mesmo. A utilidade que a escrita tem na minha vida vai além de derramar palavras em um papel, ou documento em branco no computador. Essas folhas rabiscadas são o esforço consciente que faço para organizar meus pensamentos. Trazer à tona o que está no profundo das minhas emoções. E assim, respirar novos ares, e dar novos passos.

E assim, talvez, eu me coloque na posição de dar um "start”, e me permitir novas aventuras.



Marcel

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