Crítica sincera aos sonhos condutores
Eu moro na mesma cidade desde que nasci. Na maior parte do tempo, sou e estou, apenas eu comigo mesmo. Perdido em pensamentos, compartilhando espaços repleto de pessoas, poses e circunstâncias. Hoje, durante o almoço, experimentei um breve deslocamento. Ao olhar ao redor no restaurante, percebi não conhecer ninguém. Há tempos a minha vida é isso: passear por lugares e pessoas, não reconhecer ou não ser reconhecido por alma alguma.
Cada vez mais converso com amigos por aplicativos e meios eletrônicos que pessoalmente. Não é comodidade. Meus amigos, a maior parte, foi embora. Cada um, a seu tempo, cada qual, a seu jeito. Ganhar a vida, se aventurar, começar de novo, recomeçar enquanto ainda há tempo. Viver, fugir ou arriscar. No fundo, e no raso, os motivos se resumem a um só: ganhar (mais) dinheiro - dinheiro esse que não aproxima, muito menos se transforma em contato humano.
Cada um preparou sua mala com a expectativa do novo, do longínquo e do desconhecido. Cartão de embarque e bilhete de passagem carimbado de antecipações. O adeus ou até logo, quando existiu, foi rápido e sem explicações. E, em um giro de relógio, décadas se passaram.
Onde estão meus amigos? Me pergunto. E outras tantas pessoas queridas? O que fazem? Sentem prazer na distância imposta pela necessidade? Os sorrisos pendurados no rosto são sinceros, ou apenas máscaras para disfarçar a solidão? Eram apenas ilusões?
E agora, ouço no relato dos que foram, as conclusões vorazes do muito que se perdeu pelo caminho: sonhos, esperanças, expectativas, pertencimento. E até a própria paz.

Comentários
Postar um comentário