Penso, logo, me desculpo


Tenho um problema sério com expressões adversativas como "mas", "porém"... Seria exagero rotular como vício? Talvez sim, ou nem tanto. Hoje porém (é óbvio que uma delas ia fazer parte dessa reflexão), sinto que isso tem muita relação com amor próprio. Como exerci pouco na vida (até tempos recentes), aflora em mim a necessidade fora do comum em acrescentar essas expressões ao final de cada período, frase dita ou pensamento. Ao colocar minhas emoções na mesa, percebo que esse é um (péssimo) hábito que carrego comigo dioturnamente. São anos assim mas (por que não?), apenas nos últimos, me observar tornou possível identificar esse comportamento errático. 

Os meus pensamentos rasos e reflexões mais profundas são carregadas de "mas", não importa o tópico, assunto ou circunstância. Afinal, esse costumo além do normal de a todo e qualquer instante pedir "desculpas" ou mesmo vergonha por estar presente é um eterno pedido de perdão (a mim mesmo?) por pensar, ser e existir.

Distante de uma solução razoável para essa minha conduta, escrevi dias atrás 3 páginas inteiras no meu caderno de rascunhos sobre esse e outros assuntos. Não cheguei a nenhuma conclusão ou acerto de contas, nem aventei a possibilidade de isso acontecer. Apenas coloquei no papel minhas emocões mais sinceras, meus incômodos reais e até mesmo acrescentei linhas de esperança. Foram palavras e mais palavras em uma agradável manhã de sábado. Eu me fiei a algumas coisas e cheguei a novas conclusões para problemas em cantos insondáveis de mim. Não me perguntei o porquê no começo, nem mesmo percebi quanto tempo levou. Me deixei levar pelo rabiscar. Era apenas eu e eu mesmo.

Entretanto (opa!), não sei como me livrar disso mas (sim...), hoje sinto que dei um novo passo, e que o amanhã me reserve mais outros nessa mesma direção.


Marcel

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