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Mostrando postagens de outubro, 2025

Cedo demais

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Como é inútil o hábito de escrever. Como é fútil seguir por caminhos tortuosos nessa busca pela próxima palavra. Parto nessa jornada sem facão, mapa ou destino certo. Aqui estou eu mais uma vez na minha selva interior.  Em cada árvore, um episódio da minha vida. Algumas têm raízes profundas em mim , outras crescem sem controle me impedindo de pôr o pé no chão com a firmeza necessária. Necessito caminhar. O tempo escorre em meus dedos como o suor na testa durante o exercício diário. Algumas gotas se misturam aos meus olhos e turvam minha visão. Faço uma rápida parada e bebo da fonte de novas reflexões. Me sento e acalmo a respiração. Pareço chorar, e até creio que estou. Minha sensibilidade aflora quando encaro velhas escolhas com a revelação líquida recém-ingerida. Faço quantas paradas julgar necessárias para admirar algo incrível que agora posso derramar os olhos com a devida atenção. Eu sou o caçador, explorador e habitante deste local. Retomo essa terra devastada, luto novament...

Meu canto

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Meu espaço, meu lar, meu canto, meu sossego. Meu que se transforma em algo maior quando compartilho com os outros. Meu que se torna referência em algum canto escondido ou esquina do ser. Meu que se torna um filho. Meu que se torna uma filha. Meu e meu. Potencial para nós, quem sabe um dia, de alguém mais.  Minhas palavras podem ser daqui retiradas, assim como foram retiradas de dentro de mim, mas o momento em que as transporto para o papel, confesso, esse momento é como o atravessar de um rio, e não se atravessa o mesmo rio duas vezes. Meu espaço, ou meu “lar” como uma colega comentou, não é local para desferir palavras de ódio, ou ataques a alguém ou dogmas. É apenas um espaço reservado para reflexões, e me reservo o direito de fazer várias ao longo dos anos. . Muito do que é colocado em palavras jamais será dito em uma conversa casual, roda de amigos, ou mesmo no confessionário. Penso nessas palavras, quando postas aqui, como um bilhete escrito de mim para mim mesmo. Há algo de n...

Sem Pressa

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Ao ler minhas anotações, percebi que esqueci um item na minha lista de compras. O motivo? O item não constava na lista. Certo. A vida adulta tem dessas, parece que sempre tenho muitas coisas para fazer e um tempo bem curto para dar conta do que for.  A lista (de coisas a fazer) é sempre interminável. Não importa o horário, dia da semana, ou época do ano.  Refletindo sobre afazeres, me lembrei que ontem mesmo cruzei com uma espécie em extinção: um colega de trabalho, gente boníssima, que não trabalha fora do horário de trabalho.  Pequeno parênteses nessa reflexão: também conheço as ervas daninhas que não trabalham nem mesmo durante o horário de expediente. Volto minha atenção para minha lista. Ela por vezes é só um ilustrativo. Ali há algumas coisas que vou precisar, mas o que de fato funciona para mim é o bom e velho instinto. Ele nem sempre está com a calibragem ideal e às vezes uma compra que considero providencial se transforma em um item repetido a ocupar a minha desp...

Somos mudança

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Ninguém é máquina Ninguém é completo Somos orgânicos, limitados, errôneos.  Ninguém é perfeito, ou maduro demais Somos fronteiriços, sementes novas Adolescentes e perseverança Somos processo, passado, ponta de lança Somos presente, confusão e confiança Somos sopro, expectativa e esperança Somos o que somos Um pouco hoje, amanhã mais Fronteiriços Fantasiados Frustrados Falhos Somos mudança Marcel

Um novo caminho

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Diário Pessoal - 28 de agosto de 2024 (*e adaptações) Alguns pensamentos (poucos) passam por mim enquanto dirijo. Um deles diz muito sobre o momento que vivo: tem haver com minha consciência corporal - é difícil descrever, eu sei, sobre essas percepções conscientes que experimento a todo instante. Sinto escutar melhor o que é dito, enxergar mais a fundo o que vejo, e ouvir atentamente cada pequeno gesto ou intenção, feita por mim ou por terceiros ao meu redor. Eu não possuo mais o velho hábito de ficar horas e horas distraído com mil pensamentos aleatórios. Há hoje um foco, consciência, no que estou fazendo, e só. Essa simplicidade se abateu sobre mim e varreu para longe anos e anos de inquietações, horas desconfortáveis comigo mesmo e o mal-estar solitário que me fazia companhia.  E consegui isso escrevendo. Escrevendo e escrevendo fui deixando um pouco de mim (e do que carregava comigo) aqui e ali, junto a algumas antigas preocupações não saudáveis. Dando nome a sentimento...

O Físico

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Logo Mirdin seria médico e voltaria para sua família em Masqat, e quando Rob chegasse a hakim, também voltaria para casa. Sem dúvida nunca mais se veriam. Entreolharam-se e Rob teve certeza de que Mirdin pensava a mesma coisa. - Vamos nos encontrar no paraíso? Mirdin olhou para ele gravemente. - Eu o encontrarei no paraíso. Promessa solene? Rob sorriu. - Promessa solene. Um apertou o pulso do outro. - Vejo a separação entre a vida e o paraíso como um rio - disse Mirdin. - Se muitas pontes cruzam o rio, será que Deus se importa qual delas escolhemos? - Acho que não - respondeu Rob. Os dois amigos separaram-se, cada um voltando aos seus afazeres.