Velhos Cômodos

Diário pessoal - 22 de novembro de 2024 (*e adaptações)


Um pouco ansioso com a compra do meu novo computador. Parece que sou uma criança esperando um brinquedo novo. Pois é. Não consigo evitar de adiantar momentos e sentimentos. Expectativas? Sim e não e algumas bobagens. A semana ficou curta para tanta coisa que quis realizar - o que não muda um fato: sexta-feira chegou do mesmo jeito. Ter uma data retirou um pouco da ansiedade, e mesmo assim, de formas estranhas que não sei mensurar, eu consegui alimentar uma ansiedade leve, em níveis bem menores do que já experimentei na vida.

Não é bom
É um alerta para mim mesmo. Uma boa parte dos sentimentos que lutei anos para tirar do meu comportamento diário hoje estão na prateleira do passado. Ou, colocando dessa forma, o que não faz parte do meu cotidiano, reside naquela prateleira. Uma prateleira bem visível no quarto das ações pretéritas e antigos arrependimentos. O que significa que de alguma forma ainda existem e fazem parte da minha vida, apenas em um cômodo diferente, distante daquilo que lido ao longo do dia. Talvez eu não goste de admitir, mas isso significa que de alguma forma essas emoções deixadas no passado são acessíveis - e podem estar ao alcance das mãos. Bastam leves descuidos (passos curtos na direção dessa prateleira): não dormir no horário certo, não me alimentar direito, usar uma desculpa para fazer (ou não fazer) determinado elemento da minha nova rotina, sentir saudade de uma experiência antiga.

Foi assim que nessa semana fiz escolhas e retirei o pó de velhas atitudes. Vesti a roupa de velhos hábitos e termino a semana me sentindo menos confortável comigo mesmo. Com incômodos no corpo e no espírito, apenas e apenas por constatar que o quê antes era envolvente e me movia, não tem o gosto e o sabor de outrora. Ou, de forma mais acertada, reflito, eu não sou mais o mesmo.

Nem hoje, nem nunca mais.


Marcel

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Emoldurar

No silenciar das horas

Sobre não estar bem