Respirar novos ares

Eu sempre fui um questionador. Inquieto em mim mesmo. Nem famoso, nem filósofo. Só um criador de fantasias da própria (e para a própria) vida.

Sempre achei muito do que vivi vazio ou sem sentido. E pior de tudo: eu não só não conseguia expressar o que sentia, como não sabia de alguém que se interessasse por essas “brisas” que passavam pela minha cabeça. Eu era uma alma solitária. Sozinho em mim mesmo, sem saber com quem conversar. Carreguei muita coisa dentro de mim, principalmente imaginada.


Às vezes eram pensamentos desconexos. Uma mistura de visões com diálogos irreais em situações irreais. Era um esforço da minha mente tentando me conectar com minhas emoções mais profundas. Havia algo em mim prestes a arrebentar. Eu identifico isso como o desejo que eu tinha de expôr meus pensamentos. E na falta de um público, ou de um palco, eu imaginava um montado por mim para mim. Aqui dentro, dentro da minha cabeça. E aquilo que imaginei ser uma faceta do meu Eu mais poderoso, era o que mais me deixava fraco. E também indeciso, temeroso, raivoso, ressentido, ansioso. 


Os sentimentos que alimentei, nesses muitos monólogos imaginados, não me fizeram andar um só passo para frente. Esses pensamentos eram um "caminhar para trás", ou até mesmo pular de braços abertos em um abismo sem pensar nas consequências. Em anos de “falsas reflexões” não me movi um só centímetro em direção a nenhuma conclusão.



Hoje, escrever de forma sincera para mim mesmo se tornou meu bote salva-vidas. Esse mergulho que faço nas minhas emoções, revirando passados e examinando velhas dores, é necessário e recorrente. E quanto mais recorro a esse hábito, mais fundo eu prendo minha respiração para depois aspirar novos ares, com o pulmão cheio de esperança, e um coração leve pulando no peito. 


Livre de expectativas que me impeçam de ver um horizonte de novas possibilidades.



Marcel


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