O Sabor das Coisas

Aqui ou em meu caderno surrado, posso externar meus sentimentos e não ter vergonha de mim mesmo. Aliás, espaços pessoais (ou não, como é o caso do blog) são talvez os únicos refúgios para o ser humano médio travar um diálogo íntimo e verdadeiro. Necessário, como gosto de pensar. Mas hoje, em minhas reflexões, vou um pouco além.

Aprendi que essa lição de escrever e escrever expurgando sentimentos é muito valiosa. Nela encontro valores, revejo e revejo muito do que já julguei valioso, lanço fora outros tantos pensamentos inúteis e me aprofundo mais e entendo quais são os meus valores reais. Internos, cultivados à custo de muita reflexão e aceitação, principalmente sobre decisões (mal) tomadas e erros do passado.

E quanto mais escrevo e redescubro valores, entendo que nada externo me traz um sabor agradável se não estou com apetite verdadeiro para algo novo. É interessante - e revelador - perceber o quanto já fui refém de eternas novidades. Um consumo desenfreado de coisas e valores fúteis. Uma torrente sem fim de velhas novidades, sentimentos, situações. Sugestões e pensamentos que só me aprisionavam.


Assistir hoje a um programa na tv ou uma série no streaming livre de expectativas e tirar um valor real disso tudo, é, e em retrospecto, saboroso e recompensador. Pois, o verdadeiro sabor das coisas, reflito sobre o tempo que vivo, está onde sempre esteve: aqui, dentro de mim.


Marcel

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