O Exercício

Começou com uma simples reflexão no carro. Não lembro o pensamento ou o quê exatamente deu o start para esse pequeno costume, e que já posso chamar de hábito. Eu dirigia a noite, e fui surpreendido por um trânsito lento próximo a minha casa. Fugi de um trecho mais movimentado para cair em outro - e não havia rota de fuga. Cativo com meus pensamentos, em um carro quase sem movimento.

Foi então que um episódio do passado brotou na minha frente. Meu para-brisa se tornou tela de projeção, e me vi cometendo um erro no passado. Vi e revi por diversos ângulos, por fora e por dentro de mim, local ao qual só eu tenho acesso. Era uma recordação amarga, dessas que tiram o sono no meio da madrugada. E então saiu, quase como um mantra da minha boca. Espontâneo e sincero. Um sopro de novidade nunca experimentada. As palavras foram simples e não orquestradas: "Se perdoa".

Repeti aquelas palavras algumas vezes absorvendo aquele ensinamento. Foi o suficiente. Declarar uma ordem simples para mim mesmo sobre um evento do passado, foi ao mesmo tempo uma decisão simples e inteligente. Também me permitiu perceber que ainda carrego muito desses episódios de "não perdão imposto" comigo. Um fardo pesado, constatei, não importa a força que você tenha dentro de si.

Melhor explicando: aquele sussurro foi o suficiente. E se tornou meu novo exercício diário e necessário para passar uma borracha sobre eventos do passado, e progredir no momento presente. E escrever um presente sem mágoas, sem cargas, desnecessárias. 



Marcel

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