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Mostrando postagens de março, 2025

Presente de corpo, alma e algo mais

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Um pequeno infortúnio Dias atrás fui sequestrado pelo acaso. Levado a tomar decisões de última hora, esperar e esperar, não por vontade própria, e improvisar enquanto fui arrastado para uma situação não planejada. Nessas horas tento não me entregar ao eterno rolar de tela do celular, olho para o ambiente em que estou e me concentro em seus cheiros, sons, e o que mais os meus sentidos permitirem. É minha forma pessoal de estar presente e me sentir parte de algo.  Alguns dias são mais fáceis que outros Mesmo em um evento não previsto, o famoso "rolê aleatório", ao qual qualquer um está a mercê, procuro me abster da dose rápida e infinita de dopamina e assim me perceber um pouco mais. Respiro com calma, por vezes baixo os olhos. Atento aos sinais que o meu corpo quer me transmitir, atendo ao que minha consciência tem gritado há dias para mim mesmo. E nesse eterno escorregar entre a atenção presente e os momentos futuros ao qual meu pensamento insiste em me conduzir, exercito meu...

Pensamentos soltos em frases amarradas (10)

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Às vezes sou levado a entender ou aceitar Que tudo bem, nem tudo saber No caminhar, tropeçar Errar e se perder Recomeçar Ter fé naquilo a fazer Escorregar, experimentar O bom da vida é viver Marcel

Reflexões do Cotidiano #14

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  O que acontece quando um homem se torna invisível? Gene Hackman foi um dos maiores atores de Hollywood. Um ícone. O rosto duro, a voz grave, o talento bruto. Interpretou presidentes, assassinos, heróis. Foi duas vezes vencedor do Oscar, amado pelo público, respeitado pelos colegas. No auge da carreira, era forte, imbatível, voz que não tremia. Mas o que isso significa quando se tem 95 anos e se está sozinho e desamparado em casa? Quando a memória se apagou, o corpo está fragilizado e os amados ausentes? A fama é um engano que o tempo desfaz. leia mais aqui

O Preço disso tudo

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Diário pessoal - 21 de maio de 2024 (*e adaptações) Enfim comprei os (sonhados) cadeados. Após observar minha residência por outro ângulo, notei algo que me incomodou profundamente. Nesse momento me surgiu uma ideia e dela fiquei refém por dias. Me apeguei com uma ideia fixa de comprar alguns cadeados para reforçar minha segurança - e afastar a insegurança recém-descoberta dos meus pensamentos. Passei dias assim: levando essa preocupação comigo para todo lugar. Do banho à cama. Do café ao jantar. Até que, a solução surgiu simples e certeira. Após sair mais cedo do trabalho na segunda-feira, fui cortar o cabelo e a barba e, lá estava, me deparei com uma loja de material de construção (que fica há cinco minutos da minha casa). A dita loja possuía apenas dois cadeados para vender, e pela bagatela de 70 reais, levei os dois comigo. Após feitas as devidas adaptações, ajustes e decisões, cadeados instalados. De banho tomado e quase deitado na minha cama, a reflexão veio clara e cristalina co...

Carlos Drummond de Andrade

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O Santo de Amarante

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Ao chegar a uma comunidade tão carente e de gente tão desvalida, ele não teve que fazer esforço para angariar simpatia, pois aquele povo considerava que ter uma paróquia e receber um padre eram honras acima de seu merecimento, e antes mesmo de verem-lhe a cara ou ouvirem-lhe a voz, quando sua presença ainda era boato, já o amavam. E ele, querendo encontrar um canto no mundo que fosse seu de fato, e não cedido por caridade, como na escola e no seminário, chegou ali cheio de vontade de agradar. Ele e o povo eram a corda e a caçamba.  

O Exercício

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Começou com uma simples reflexão no carro. Não lembro o pensamento ou o quê exatamente deu o start para esse pequeno costume, e que já posso chamar de hábito. Eu dirigia a noite, e fui surpreendido por um trânsito lento próximo a minha casa. Fugi de um trecho mais movimentado para cair em outro - e não havia rota de fuga. Cativo com meus pensamentos, em um carro quase sem movimento. Foi então que um episódio do passado brotou na minha frente. Meu para-brisa se tornou tela de projeção, e me vi cometendo um erro no passado. Vi e revi por diversos ângulos, por fora e por dentro de mim, local ao qual só eu tenho acesso. Era uma recordação amarga, dessas que tiram o sono no meio da madrugada. E então saiu, quase como um mantra da minha boca. Espontâneo e sincero. Um sopro de novidade nunca experimentada. As palavras foram simples e não orquestradas: "Se perdoa". Repeti aquelas palavras algumas vezes absorvendo aquele ensinamento. Foi o suficiente. Declarar uma ordem simples para ...