A caminhada

Descobri um blog antigo. O autor, um professor de yoga, senta em frente ao computador e descreve episódios marcantes, contos inspirados, reflexões. Seu blog é um mural de recordações. Emoções privadas do ser. Rabiscadas em uma parede de saudades. Vivências. Um rasgar sincero do véu que separa o mundo interno do externo. Esse sentir-se à vontade para expôr o próprio mundo é um ato que conheço bem.

Hoje seu caderno de anotações na web é mais um no cemitério de blogs. Uma tendência que acompanhei muito bem. A palavra escrita na internet foi aos poucos sendo substituída pela urgência dos vídeos e conteúdos mastigados, músicas chicletes e dancinhas apressadas; um mundo cada vez mais conectado que só tem pressa em adiantar o passo para a próxima dose de endorfina.

As reflexões cessaram. Última postagem, em algum momento de 2017. O professor continua sua jornada pessoal em outra plataforma. Seu público agora é outro. A audiência antes em telas de LED ou LCD, agora o acompanha sentada em um tapete de yoga com aulas diárias. As palavras deram lugar ao silêncio da meditação. Reflexões mais introvertidas substituídas pelos asanas e saudações ao sol.

O medo nos detém em alguma parada, mas é a caminhada que nos define.

É a jornada. É o que nos define. É o que somos.

Marcel 


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