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Mostrando postagens de janeiro, 2025

Mundo cruel

E essa tal vontade de escrever sobre tudo e sobre o nada? Vontade de desfiar pensamentos, transformar em palavras Versos, momentos, sentimentos Socar verdades Esmurrar essas frases Colar em um muro tantas palavras. Descobrir em mim um universo Transformar um único verso, em verdades sem fim E assim, percebo, estou longe, muito longe Longe do momento presente, voltando no tempo, nas memórias Escassas lembranças, momentos dolorosos Enxugo as lágrimas na manga da blusa Ofereço ao ambiente alguma umidade involuntariamente. Revisito o tempo Tento achar significados Identificar erros Me perdoar pelo passado. Olho para o espelho e não me encontro Revisto meu velho bairro e me sinto um estrangeiro Onde estão meus amigos? Onde está aquela coisa boa de me sentir bem comigo mesmo? Onde estou agora? Mais importante: porque me sinto tão sozinho? Mundo cruel Fui largado em uma competição, eu nunca quis ser melhor que ninguém Fui esquecido num canto, eu que sempre tive consideração por todos Esperara...

Tirando as sandálias

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Sábado, depois do meio-dia. Precisei vir ao local de trabalho fora do horário. Não havia ninguém, e não deveria mesmo. O ambiente, tão familiar com vozes e conversas, barulho de aparelhos de ar condicionado, passos, risadas, respirações. Nada disso se fazia presente. Era apenas eu e meus passos ecoando no corredor. Denunciando minha posição a cada instante. Quebrando a paz sagrada que esse ambiente experiementa sem a interferência da presença humana. Presente estava apenas o vazio, o silêncio, um ruído mudo - e ali estava eu. Um estrangeiro, um invasor, um intruso, pisando em terra santa e me sentindo indigno por quebrar algum pacto ou convenção. As paredes me cobravam e até o ranger da porta ao abrir me pareceu mais ameaçador. Eu não era bem vindo naquele lugar. Não, não era. Me apressei para sair. Senti que até mesmo minha respiração ecoando pelo ambiente era um desrepeito. Por fim, fui vencido. Me despi, desisti de impôr minha existência, aceitei minha inconveniência e tirei as sand...

Pensamentos soltos em frases amarradas (9)

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Se não experimento, não atravesso Se não piso, não tem solo Base não há em mim São apenas palavras vazias Sentimentos emprestados Semente sem vida que não cria raiz Marcel

Outra Vez - Maria Bethânia

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Você foi o maior dos meus casos De todos os abraços O que eu nunca esqueci Você foi, dos amores que eu tive O mais complicado e o mais simples pra mim Você foi o melhor dos meus erros A mais estranha história Que alguém já escreveu E é por essas e outras Que a minha saudade faz lembrar De tudo outra vez.... Você foi A mentira sincera Brincadeira mais séria que me aconteceu Você foi O caso mais antigo O amor mais amigo que me apareceu Das lembranças que eu trago na vida Você é a saudade que eu gosto de ter Só assim sinto você bem perto de mim Outra vez Esqueci de tentar te esquecer Resolvi te querer por querer Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade Sem nada perder Você foi Toda a felicidade Você foi a maldade que só me fez bem Você foi O melhor dos meus planos E o maior dos enganos que eu pude fazer Das lembranças que eu trago na vida Você é a saudade que eu gosto de ter Só assim sinto você bem perto de mim Outra vez

E novos caminhos

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E… Eu senti no meu íntimo que nada mais é como antigamente - a começar por mim. E é começando por mim - um dia de cada vez - que quero me tornar um ser humano melhor. Mais resistente, menos frágil. Mais sábio, menos deslumbrado. Mais verdadeiro, menos afastado do mundo. Mais humano, mais real, mais afetuoso, mais amoroso, menos julgador, menos preocupado sobre o que vão ou não achar de mim. Eu preciso me amar. Acima de tudo, me amar de verdade. Encarar as consequências das minhas escolhas e ficar em paz com a minha consciência.  E que eu desenvolva uma consciência verdadeira e profunda sobre mim. Distante e afastado de valores (falsos valores) mundanos e artificiais - e assim, acredito, tendo a real consciência do quanto sou atraído por velhas ideias, atraído por um gatilho (uma fagulha) emocional que não sei identificar ainda, eu possa tomar boas e acertadas decisões. E trilhar novos caminhos... Marcel

Nadando no rio de coisas intermináveis a fazer

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Não me considero um escritor. Nem pensador, filósofo, ou qualquer outro rótulo já conhecido. Eu apenas escrevo. Olho para essa página em branco à minha frente e vejo nela a oportunidade de derramar pensamentos. Ontem, aliás, funcionou muito bem, não só escrevi dois textos não planejados, como consegui extrair emoções profundas e remexer em velhas lembranças com uma clareza que me agradou - e é sobre isso que tem se tratado muita coisa da minha vida. Sempre busquei isso: clareza. De pensamentos, de emoções, justificativa para minhas ações e reações. Clareza ao falar, expôr ideias. Clareza dos acontecimentos, sobre as pessoas com quem me relaciono, do mundo ao meu redor. Oras, mas isso, todo mundo faz, não é mesmo? Não. E posso estar sendo arrogante, mas a resposta mais óbvia para isso é um retumbante não. A grande maioria das pessoas que eu conheço não faz o menor esforço para ter clareza, por mínima que seja. A grande maioria apenas se deixa levar. Pelo trabalho, pelo cansaço, antigas ...