Histórias sem fim #1
Pedaços de histórias descontinuados.
Achados do computador e documentos pessoais.
Histórias que nunca tiveram contornos definitivos.
Acordei cedo
Ainda sonolento levantei da cama e me estiquei sentindo o estalar das costas, ou seria da velha cama? Não localizei o relógio na parede e percebi o quão escuro meu quarto estava. Resolvi fazer um café. Coloquei água no fogo, algumas colheres de açúcar e abri algumas janelas tentando adivinhar as horas por causa da minha falta de capacidade em achar um relógio de parede tão cedo e tão escuro. Esbarrei nos óculos e descobri uma nova linha de formigas subindo a parede ao lado da porta da cozinha.
Passei o café e fui até meu galo, Chico. Já estava na hora de alguém trabalhar nesse sítio.
Chico me olhou mal humorado de seu poleiro e pude jurar que seu semblante era uma recusa (Chico não gostava de café). Ingrato. Ficamos os dois fitando o pasto e olhando as árvores mais além. Uma pequena faixa laranja riscou o horizonte e Chico estufou o peito para anunciar o início de mais um dia nos campos. Tomei o último gole de café e acompanhei mais um pouco do espetáculo. Naquele dia em particular o sol nunca me pareceu tão bonito. Assim que aquele pensamento secalou, um arrepio correu meu espinhaço. Fiquei alerta e senti um incômodo na base do pescoço. Seria apenas uma falsa sensação? Mas o quê…? Fiquei alguns segundos ruminando sensações e observando a calma ao meu redor.
A cerca do pasto, o pomar mais adiante, a casa de Seu João Borba, importante fazendeiro da região, que ficava no alto de um morro e rivalizava com o horizonte distente mas nunca em beleza. O galinheiro… Opa! O galinheiro estava com a porta aberta... Não lembro de ter deixado o galinheiro aberto em 18 anos que moro aqui. E então me deparei com o silêncio. Nem uma única galinha se ouviu ou mesmo se apresentou ao chamado de Chico para o despertar de mais um dia.
Com passos comedidos me aproximei do galinheiro. Meu estômago reclamou de algo e eu não pude ignorar o sinal. A porta do galinheiro foi arrombada e o cadeado e a corrente não eram vistos em lugar nenhum… Dei mais um passo em direção a construção, abri a porta e olhei o interior: inspirei forte, me assustei. Todas as galinhas estavam mortas. Todas caídas no chão e os ovos pisoteados por toda parte…
Não continua...
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